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'Último carcereiro de Mussolini' morre na Itália aos 101 anos | Mundo & História
Ferdinando Tascini morreu aos 101. (Foto: ANSA)

‘Último carcereiro de Mussolini’ morre na Itália aos 101 anos

Ferdinando Tascini guardava “Duque” na prisão Gran Sasso; local deteve o ditador italiano entre agosto e setembro de 1943.

(ANSA) – Era um dos carabineiros aos quais foi confiada a custódia de Benito Mussolini na prisão Gran Sasso. Ferdinando Tascini, conhecido por ter sido o último carcereiro do “Duque” durante a prisão no Campo Imperatore, hotel convertido em prisão que deteve o ditador italiano entre agosto e setembro de 1943, faleceu em 15 de março, aos 101 anos, em Città di Castello.

Agraciado com placas e cerimônias oficiais, em comunicado da Prefeitura de Città di Castello, é lembrado como “um distinto senhor cortês e gentil, que construiu sua existência com trabalho, família, valores de respeito mútuo e senso de pertencimento à comunidade local onde sempre viveu”.

Assim que souberam da notícia da morte, o prefeito Luca Secondi e a junta municipal expressaram os mais sinceros sentimentos de solidariedade à família, aos filhos Massimo, Maria Teresa, Maria Francesca e Luca, lembrando os belos momentos passados ouvindo suas histórias de vida e história.

“Um cavalheiro, símbolo de nossa comunidade”, recordaram.

Os funerais ocorreram ontem (16) em Città di Castello. Ferdinando Tascini nasceu em Todi em 28 de dezembro de 1922, de uma família de agricultores, sendo o terceiro de cinco irmãos.

Ferdinando Tascini: a vida do ‘último carcereiro de Mussolini’

Ele se inscreveu no Instituto Agrícola Ciuffelli de Todi, mas teve que interromper os estudos devido ao chamado para o exército durante a Segunda Guerra Mundial. Enviado para Montenegro por quase um ano, ele depois se alistou na Arma dos Carabineiros.

Chamado de volta à Itália, foi escolhido para uma missão especial e secreta. Encontrou-se, sem saber, em Campo Imperatore, Gran Sasso, guardando Mussolini, até o ataque (com o codinome “Operação Carvalho”, dado pelo exército alemão), uma operação bem-sucedida realizada por paraquedistas alemães e comandos da Waffen-SS, pessoalmente ordenada por Adolf Hitler.

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“Eram 14h30 do dia 12 de setembro de 1943 e não era meu turno. Eu estava no meu quarto e, em determinado momento, ouvi gritarem que os alemães haviam chegado e olhei pela janela. Vi um planador que já havia pousado e havia um oficial com uma metralhadora pesada apontada para minha janela. Naquele momento, fiquei parado e esperei por ordens, se deveríamos pegar as armas ou nos render”, lembrou, no dia de seu 101º aniversário.

“Depois nos ordenaram descer desarmados e nos render. Vi todos lá. Os alemães já haviam cercado o hotel, fecharam o cerco. Nosso trabalho terminava ali e eles se comportaram bastante bem conosco”, relatou.

“Depois, lembro de uma coisa: quando os planadores pousaram, Mussolini se aproximou da janela, mas não via quem estava lá. Ele queria saber se eram americanos ou alemães. A sensação era de que Mussolini esperava mais pelos americanos do que pelos alemães”, observou.

Após o fim da guerra, Tascini conseguiu obter o diploma de perito agrícola. Em 1950, mudou-se com sua esposa Adiana, e em Città di Castello criou uma fazenda especializada no cultivo de tabaco.

Viveu com sua numerosa família, com quatro filhos, nove netos e sete bisnetos, desfrutando da sombra do carvalho centenário de que cuidou com amor, seu lugar favorito. (ANSA).

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Mario Cavalcanti

Jornalista pioneiro no campo da internet brasileira, Mario Cavalcanti começou a trabalhar com conteúdo online em 1996, tendo passado por portais de destaque como Cadê?, StarMedia Brasil, iBest, Globo.com e Click21. Gosta de assuntos como mistérios, criptozoologia, expedições e descobertas científicas. É editor do portal Mundo & História e também coeditor da revista de contos Histórias Extraordinárias, da Editora Mundo.

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