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Bíblia hebraica mais antiga do mundo é vendida por valor recorde em leilão | Mundo & História
Foto: Cortesia Sotheby's

Bíblia hebraica mais antiga do mundo é vendida por valor recorde em leilão

Uma Bíblia hebraica com mais de mil anos e descrita como ‘um dos textos mais importantes e singulares da História da Humanidade’ tornou-se o manuscrito mais valioso já vendido em leilão.

O Codex Sassoon, que data do final do século IX ou início do século X, foi vendido por US$ 38,1 milhões (cerca de R$ 190 milhões) na Sotheby’s, em Nova York. Acredita-se que seja a Bíblia hebraica mais antiga e completa. O último manuscrito a bater recordes de vendas foi o Codex Leicester, de Leonardo da Vinci, vendido por US$ 30,8 milhões em 1994, de acordo com a Sotheby’s.

No entanto, o Codex Sassoon ficou aquém de sua alta estimativa de US$ 50 milhões. Antes da venda, o valioso item foi exposto no Reino Unido e em Israel.

“Este é o documento mais importante a ser leiloado de todos os tempos”, disse Sharon Mintz, especialista sênior em livros e manuscritos da Sotheby’s.

Uma produção luxuosa para os mais ricos?

A Bíblia Hebraica é a base das três religiões abraâmicas: judaísmo, cristianismo e islamismo.

Os estudiosos há muito conhecem o códice em homenagem ao renomado colecionador judeu David Sassoon (1880-1942), mas ele permaneceu em grande parte fora da vista do público, observou a Sotheby’s em um comunicado à imprensa.

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Mintz descreveu o Codex Sassoon, que inclui 792 páginas de pergaminho (feitas de peles de animais) e pesa cerca de 26,5 quilos, como uma “produção luxuosa que apenas os mais ricos poderiam pagar”.

O proprietário anterior do manuscrito comprou o códice em 1989 e ficou “encantado por poder compartilhá-lo com o mundo”, disse Mintz.

Entenda a raridade desta Bíblia

Acredita-se que o Codex Sassoon seja o primeiro códice, ou manuscrito em forma de livro, da Bíblia hebraica. Nos séculos anteriores à sua escrita, havia apenas porções ou seções de textos bíblicos em forma de pergaminho – o que veio a ser conhecido como os Manuscritos do Mar Morto. Mas estes não continham versos, capítulos ou pontuação, de acordo com a Sotheby’s.

O povo judeu na antiguidade passou a confiar na tradição oral passada através de gerações para entender e preservar a mensagem da Bíblia, observou o comunicado.

Este documento e o Códice de Alepo, alojado no Museu de Israel em Jerusalém desde 1958, são os dois únicos códices que datam do século X e compreendem quase toda a Bíblia hebraica.

Mas, de acordo com o museu, o Códice de Aleppo foi gravemente danificado em um incêndio na sinagoga da comunidade em 1947, e hoje “não mais do que 295 das 487 folhas [páginas] originais sobreviveram”. Por outro lado, no códice de Sassoon só estão faltando 12 páginas inteiras. Sendo assim, ele “é, portanto, a cópia mais antiga e completa da Bíblia hebraica existente”, de acordo com a Sotheby’s.

Richard Austin, chefe global de livros e manuscritos da Sotheby’s, acrescentou no comunicado que “o Codex Sassoon há muito tempo ocupa um lugar reverenciado e lendário no panteão dos manuscritos históricos sobreviventes e é inegavelmente um dos textos mais importantes e singulares da história humana”.

Via CNN.com.

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Mario Cavalcanti

Jornalista pioneiro no campo da internet brasileira, Mario Cavalcanti começou a trabalhar com conteúdo online em 1996, tendo passado por portais de destaque como Cadê?, StarMedia Brasil, iBest, Globo.com e Click21. Gosta de assuntos como mistérios, criptozoologia, expedições e descobertas científicas. É editor do portal Mundo & História e também coeditor da revista de contos Histórias Extraordinárias, da Editora Mundo.

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